Categorias
Refugiados

Benção Aramaica

Um ancião iraquiano, cristão, refugiado na turquia, canta uma benção em aramaico antigo, saudando a visita do pastor José Prado à sua comunidade, em 20 mai 2017
Categorias
Rohingya

ROHINGYA – Um Povo Perseguido e Esquecido pelo mundo

Um barco com 49 mulheres, 15 homens e 30 crianças, famintos e desidratados após 2 semanas vagando em alto mar, foi encontrado hoje (24 junho 20) por pescadores na costa da Indonésia. Ainda não foram autorizados a desembarcar.
Povo simples (estima-se entre 1,5 – 3 milhões de pessoas), extremamente pobre, muçulmanos, pescadores em sua maioria, marginalizados e perseguidos por motivações étnicas e religiosas. Em Myanmar sempre foram rejeitados mas desde 2015 têm sido vítimas de genocídio por forças budistas radicais. Não tem acesso a nenhum direito, educação, saúde, cidadania, nem mesmo documentação. São, por isso, considerados apátridas.
Desde 2016 cerca de 900 mil deles fugiram pra Bangladesh, mas mesmo ali não foram aceitos. Vivem em campos de refugiados superlotados e insalubres. No desespero, grupos têm se lançado em alto mar em embarcações precárias em busca de um porto seguro, mas nenhuma nação está disposta a recebê-los.
Um povo não alcançado pelo Evangelho e pela justiça, em busca de paz, em busca de abrigo.
Ore conosco por eles. Este é um dos povos que o ABUNA busca servir. Que portas se abram. Que recursos sejam mobilizados. Que pessoas sejam levantadas!
A missão não pára por conta da pandemia. Ao contrário, ela se faz ainda mais evidente, necessária e urgente. Quem irá? Quem intercederá? Quem investirá?
– Senhor, aqui estão os meus 5 pães e 2 peixes… Faz aquilo que só o Senhor pode fazer.

Se quiser se juntar neste projeto, entre em contato.

(Foto AP / Zik Maulana)

Categorias
Refugiados

20 Junho – Dia Mundial dos Refugiados

Vivemos a maior crise humanitária desde a 2ª guerra mundial. Conflitos políticos, étnicos e religiosos, grupos terroristas, crises econômicas, corrupção, desastres naturais, somados à pandemia e à insensibilidade dos países ricos, geraram um caos generalizado, que acabou espalhando-se por todo o mundo.

Refugiados enfrentam desafios enormes, diariamente, entre eles: falta de esperança, violência, discriminação, fome, falta de abrigo, perda de identidade e perda de poder econômico. Eles encaram jornadas perigosíssimas (como atravessar desertos, zonas de guerra, oceanos) expondo a si mesmo e aos seus familiares, para salvar a vida. Por tudo isso, tornam-se vulneráveis às redes de tráfico humano, exploração sexual, tráfico de órgãos.

Existem hoje mais de 80 milhões de pessoas deslocadas forçosamente de suas casas. Destas, 29,6 milhões são “refugiados” (deslocados à força vivendo em outros países e já reconhecidos pelos governos locais), e 4,2 milhões são “solicitantes de refúgio” (apesar de já estarem em outro país, seu status ainda não foi reconhecido). Há ainda 45,7 milhões de “deslocados internos” (IDP – Internally Displaced Persons), que fugiram de suas casas e cidades por conta da perseguição ou guerra, mas ainda permanecem dentro do seu próprio país.

BRASIL
Considerando os casos reconhecidos, ou seja, já aprovados pelo governo (43 mil) e os que estão em processo de julgamento pelo CONARE (193.373), temos cerca de 237 mil refugiados e solicitantes de refúgio, de mais de 90 nacionalidades diferentes. Quando comparado ao tamanho de nossa população (209 milhões), este número é muito pequeno, insignificante mesmo, apenas 0,1%!!! Podemos fazer mais!

GENTE
Mais do que um problema, mais do que heróis, pessoas em situação de refúgio são “gente” e carregam histórias, esperanças, sonhos. Junte-se a nós neste dia. Coloque-se por um momento no lugar deles. Ore por eles. Apoie nossos projetos. Juntos somos mais fortes.

Categorias
Yazidis

Parem de bombardear Sinjar!

Faz 48 horas que a Turquia, uma superpotência, atacou o pequeno povo Yazidi nas montanhas Sinjar, norte do Iraque. Há 48 horas que não tenho descanso. Nego-me a aceitar isso como normal.

Os Yazidis são um povo ancestral, sobrevivente de múltiplos genocídios. Deveriam ser honrados, protegidos. Ao invés disso, não têm pátria, nem documentos, nem direitos. Sua riqueza é ele mesmo; sua história e cultura, sua luta e resiliência. Grande parte das famílias atacadas são dirigidas por viúvas que perderam seus maridos assassinados pelo Estado Islâmico em 2014.

Milhares delas, desde crianças de 6 anos, foram feitas escravas sexuais para os terroristas por mais de 3 anos! Dezenas de estupros por dia. Muitas se suicidaram. Outras atearam fogo em si mesmas no intuito de ficarem deformadas a ponto de não serem mais atraentes. Quanta dor. Quanta violência. Não há como dimensionar o trauma! Só por estarem vivas já são excepcionais!

Por quê bombardeá-los? No meio da noite, numa pandemia! A troco de quê usar drones e caças contra famílias vivendo em barracas, num campo de refugiados nas montanhas? Nada justifica, não faz sentido!

Este post é ao mesmo tempo um protesto pelo silêncio e descaso da comunidade internacional, e um tributo, ainda que singelo, a esse povo, especialmente a estas mulheres e meninas sobreviventes. Ajude-me a amplificar esta voz. Coloque-se no lugar delas. É preciso quebrar a barreira do descaso, da insensibilidade, do silêncio. Muitos nunca sequer ouviram falar desse povo…

Juntos podemos ir mais longe! Oxalá esta essa mensagem chegue até elas, lá no alto do monte Sinjar, e lhes traga algum conforto, alguma esperança.
– “Vocês não estão sozinhas. Vocês não foram esquecidas”.

Que haja dignidade e justiça.
Que haja paz para o povo Yazidi.

Foto: Menina Yazidi, Ago 2014, Youssef Boudlal / Reuters

Categorias
Yazidis

Yazidis atacados em Sinjar

Sob o pretexto de atacar terroristas o governo turco acaba de bombardear pesadamente a região do Monte Sinjar, no Curdistão Iraquiano (norte do Iraque). Esta é a terra ancestral dos Yazidis e Curdos, que junto com a minoria cristã, foi alvo do ISIS em agosto de 2014 e vítima de um massacre e enorme êxodo humano. Estes três povos têm sido, há séculos, alvos de um genocídio indescritível e ignorado pelo mundo.

Em 2014 milhares de mulheres e meninas Yazidis foram feitas escravas sexuais pelos terroristas do ISIS por anos. Com muito esforço e sacrifício, sem apoio internacional, eles se organizaram e conseguiram expulsar o ISIS de suas terras. Nos últimos meses foram descobertas dezenas de valas comuns com milhares de corpos. Após 6 anos morando em acampamentos de refugiados em péssimas condições, há cerca de 10 dias aproximadamente 200 famílias voltaram às suas terras para reconstruir das cinzas.

No ataque de hoje, uma escola e um hospital foram (intencionalmente?) destruídos. O que dizer? A quem pedir socorro? Como orar?

Hoje abrimos a semana em que se celebra (?) o Dia Mundial do Refugiado (20 junho). Que tragédia! Há dois anos, numa missão pastoral-humanitária, estive na região, a apenas alguns quilômetros da área bombardeada hoje. Visitei famílias sobreviventes do massacre de 2014. Desfrutei da sua hospitalidade. Ouvi suas histórias. Força e beleza se misturam em sua cultura, notadamente sua música e gastronomia. Ri e chorei com eles. Mas as cicatrizes no corpo e na alma testemunhavam… Estavam cansados de tanta luta.

Planejei voltar. Não fosse o fechamento das fronteiras por conta da pandemia, estaria lá novamente mês passado. Se puder, ao ler estas linhas, separe um tempo de oração por estas famílias (Yazidis, Curdos e Cristãos). Não é só pelo ataque de hoje. Há um clamor por paz e segurança que só o Senhor pode dar.

Ore para que parem os bombardeios e ataques.
Ore pelos feridos deste e de outros ataques. Mulheres e crianças. Doentes, idosos.
Ore por consolo por aqueles que perderam parentes e amigos.
Ore por restauração dos seguidos traumas que sofreram.
Ore com todas as suas forças para que o deus da guerra e da morte seja derrotado.
Que os pequeninos sejam fortalecidos.
Que portas se abram e que o evangelho da paz inunde esta terra, como as águas cobrem o mar.

Senhor, tem misericórdia!

Foto: Delil Souleiman – AFP (2014)

Categorias
Direitos Humanos

Salvamos uma vida hoje!

“Salvamos uma vida hoje”, “Não é preto versus branco, é todo mundo contra os racistas”.

Essas foram as palavras de Patrick Hutchinson ao descrever o que havia acontecido. É preciso ter coragem e esperança pra fazer o que ele fez. São em momentos como este que a humanidade é construída, ou não. Na tarde de ontem, em Londres, manifestantes contra o racismo foram confrontados por grupos supremacistas brancos. Na confusão, um homem branco foi atingido na cabeça, cai no chão e está prestes a ser linchado. Neste momento Hutchinton intervém, o coloca no ombro e o leva em segurança pra ser socorrido. Coloque-se na cena. Os ânimos acirrados, gritaria, pancadaria, pedras e garrafas voando, policiais com cassetetes e balas de borracha tentando dispersar a multidão. Em meio a tudo isso, num lapso de segundo, como num ato reflexo, um ser humano socorre outro.

Mais do que isso. A beleza, grandeza e dignidade do ato de H. foi em que ele decide socorrer um inimigo caído. Fazendo isso ele não somente salvou seu oponente, mas salvou a si mesmo e salvou a nós todos, que ficamos um pouco mais humanos também. Sua ação abre a possibilidade de redenção para o supremacista branco. Agora ele deve responder à sua consciência que clama por justiça. Como explicará a si mesmo o ato de H.? Mudará de atitude? Não sabemos. Espero que sim.

Mas mesmo que o supremacista não se converta, nem por isso o ato de H. perde seu valor. Ao contrário. Nossos atos de justiça não devem ser motivados pela possibilidade de mudar o outro. Eles têm um valor intrínseco. O amor, a solidariedade, a misericórdia devem ser praticados, ainda que não sejam vistos, valorizados ou reconhecidos. É isso que nos faz humanos.

“Amem seus inimigos”. A proposta de Jesus, de aplicar a cruz a nossa vida diariamente até o ponto de amarmos e socorrermos aqueles que nos odeiam é o único caminho possível para a construção de uma nova humanidade. Um novo mundo é preciso. Um novo mundo é possível.

Seguir a Jesus, o ser humano como todo ser humano deve ser.

O Reino do bem chegou e seu avanço é irreversível.
Há esperança.
Creia.

Foto: Dylan Martinez / Reuters

Categorias
Direitos Humanos

Vai ter cruz, sim!

Desde o início, ele nunca demonstrou apreço pelo humano. Não fossem os limites impostos, todos nós estaríamos consumidos. Ele, que não suporta a vida e a alegria, se alimenta da violência, da mentira, do ódio, da morte. Quase sempre age às escuras. Dissimulado. Mas em tempos sombrios como os nossos, ele se sente à vontade e exibe sua face. Intolerante. Cruel. Mesquinha. Abjeta.

Hoje apareceu lá em Copacabana. Na areia branca, desandou a derrubar as cruzes. Repare. Não chutou as faixas, não se voltou contra os voluntários, nem tratou de fechar as valas. Seu ódio derramou-se sobre o símbolo que mais abomina e teme. A Cruz. Foi numa cruz que um dia ele foi vencido, desmascarado, humilhado. A cruz vazia expõe sua impotência. Ele pode chutá-la, mas não pode derrotá-la. O amor venceu. A esperança sorriu. A justiça e a paz se beijaram. Uma nova vida é possível.

E aquele pai que passava por ali, arrasado pela perda do filho amado, olha a cena e, de tanta dor guardada no peito, clama, como um brado, um aviso:

– Vai ter cruz, sim! Foi meu filho!

Ecos da eternidade em Copacabana.

Não é o vírus. O que está matando o Brasil é o deus da morte e seus adoradores.

Acorda, Brasil. Grita, Brasil.
Se agarra nesta cruz e sai da vala. Respira.
O rio de paz vai jorrar. Ele pode nos lavar. Ele pode nos curar.
E nós, qual crianças, podemos nadar de braçada.

Você vem?

Imagem do g1

Categorias
Direitos Humanos

Racismo: sua origem e cura

O mundo não é justo e o Brasil é um dos países mais injustos do mundo. Isto é pecado e afronta o coração do nosso Pai que é Santo e que se levanta contra toda forma de injustiça. Dentre tantas injustiças deste mundo mau, o racismo é uma das mais repugnantes, pois afirma o valor e dignidade de alguém a partir da cor da pele. Sua raiz está no orgulho de se achar melhor, de ter mais valor do que o outro. Pecado.

Não só os negros são alvos do racismo e deste orgulho incabível. Há também o preconceito contra os indígenas (que para muitos não são “gente”), contra os ciganos, analfabetos, pobres e também contra as mulheres, que até pouco tempo eram consideradas inferiores aos homens. O racismo é o fundamento da eugenia, doutrina que prega a limpeza étnica, a purificação da raça (conceito racista), a aniquilação do outro (diferente de mim, branco puro). Assim, o nazismo é filho do racismo.

Apesar de parecer absurdo, nossa geração tem visto o renascer destas doutrinas hediondas, com movimentos neonazistas e de supremacistas brancos se espalhando pelo mundo. Destilam ódio, violência e morte. Em meio a isto vemos a morte de George Floyd, João Pedro, Miguel…

É obvio que todas as vidas importam (numa sociedade sadia). Não está sendo dito que só as vidas dos negros importam. É claro que a Bíblia ensina que todos nós somos iguais perante D’us. Mas o movimento nas ruas não está criticando o que a Bíblia ensina, mas sim como nossa sociedade doente, pecaminosa, maligna, foi e está estruturada. Daí a expressão “racismo estrutural”.

O que precisa ser vencido, como humanidade e particularmente no Brasil, é nossa incapacidade ou falta de vontade de nos colocarmos no lugar do outro. Especialmente o que é diferente de nós. E o Evangelho vai no coração deste egocentrismo: Ame o próximo como a ti mesmo. Faça ao outro o que você quer que ele lhe faça. Nas palavras de Paulo, alegrem-se com os que se alegram, chorem com os que choram. Tudo isso confronta nosso pecado egoísta e nos convida a nos colocarmos no lugar do outro, ferido, injustiçado, explorado, violentado. É isto que estou buscando. Creio que este é um exercício necessário a ser feito no Brasil, hoje. Estamos séculos atrasados e nossas injustiças se acumulam aos céus.

O evangelho que nos foi pregado enfatizou sobremaneira que a salvação é uma dádiva pessoal, espiritual, intimista, a ser vivido dentro de nossos quartos, nossos templos. Tenho aprendido na Palavra e na vida que o Evangelho também é comunidade, justiça, paz (veja conceito de Shalom no AT) e tem muito a falar contra o pecado na sociedade. Ele toca na concretude da vida lá fora.

Em Mateus 23.13 Jesus afirma que os fariseus (que eram piedosos religiosos à sua própria vista) eram hipócritas porque “devoravam as casas das viúvas” e para se justificar, faziam longas orações. No verso 23 Jesus os acusa de serem tão meticulosos a ponto de dar o dízimo de pequenas coisas, como a hortelã e o cominho, mas negligenciar os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Em Lucas 16.14, após Jesus afirmar que não era possível servir a dois senhores, a Deus ou a mamon (dinheiro), os fariseus o ridicularizaram, pois, “eram avarentos”, ou em outra tradução, “amavam o dinheiro”.

É por estas e outras que creio ser relevante tratarmos estas questões no Brasil de hoje a partir da ótica da fé que Jesus nos ensinou. É incoerente que um seguidor de Cristo se negue a exercer empatia, misericórdia, justiça. Padece de cegueira e audição seletiva. Há muito o clamor dos estrangeiros, das viúvas e órfãos pobres, dos injustiçados, dos explorados não chega até estes ouvidos seletivos. É como se estivessem no alto de suas varandas, louvando a D’us pela natureza, pelo lindo pôr de sol, e fossem incapazes de escutar o clamor dos que são explorados, deixados à sua própria sorte nas calçadas.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude a ver, ouvir e sentir a dor de nossos irmãos. Só assim seremos capazes de nos juntar a eles em seu clamor por justiça.

Ore por mim, quero muito viver à altura daquilo que escrevo.
Abraço fraterno.

(Imagem: Yann Libessart- MSF)

Categorias
Direitos Humanos

Racismo à brasileira

Aos que argumentam que todas as vidas importam, que a morte do menino Miguel, em Recife, não tem nada a ver com a cor da pele…

O fato concreto é que ele era negro, filho de uma família pobre. Assim como era negro e pobre o menino João Pedro, assassinado dentro de casa pelas forças militares no Rio. Assim como era negro o angolano assassinado em Itaquera dia 17 maio.

No Brasil, 75% das milhares de pessoas assassinadas por ano são pobres e negras.

Há quem prefira dizer que isto é um problema econômico. Sim, digo eu, problema econômico causado pelo racismo estrutural.

Quem morre mais de bala perdida: negros ou brancos? Quem morre mais nos desabamentos nas encostas?Quem morre mais quando as forças militares invadem a favela?
Quem morre mais nos corredores dos hospitais por falta de leito e atendimento?

Você diz. Os pobres.

Sim, os pobres que em grande parte são negros. Coincidência? Falta de vontade de estudar e trabalhar? É isso mesmo que você pensa?

Esses irmãos e irmãs brasileiros estão nessas condições de vulnerabilidade por conta de um sistema maligno (escravidão) que forjou a sociedade brasileira por centenas de anos. Sim, séculos!

Os acontecimentos trágicos que aconteceram no Brasil e nos USA trazem à tona um mal terrível chamado racismo. Ele está tão entranhado em nossa cultura que muitos chamam de “leve”. Mas é exatamente o contrário. Racismo no Brasil é tão forte que acaba sendo natural.

É mais fácil pra nós catalogarmos essas barbaridades como pobreza. Isso de certa forma nos isenta. Lavamos as mãos e seguimos em frente… Não, não mais. Há gente que não tá conseguido mais respirar. Não é só pela justiça e pela paz (e isso é muito). Antes disso, é pela dignidade e valor intrínseco e incomensurável dessas vidas. Sim, especialmente vidas negras.

Temos diante de nós a possibilidade de reavaliar nossa forma de ver o outro e de viver. De construir um novo país, sobre novos alicerces. Sim, vamos ter muito trabalho… Mas a esperança é forte. Ela é resiliente.

E como sempre digo, e procuro viver, a começar em mim. #vidasnegrasimportam

Categorias
Direitos Humanos

O pet passa bem. O Brasil, não!

Miguel (5), negro, é levado ao trabalho com a mãe, doméstica.
Mãe tem que descer pra levar o pet da patroa fazer xixi.
Miguel fica aos cuidados da patroa, socialite de Recife, que estava também ocupada com a manicure.
Cinco minutos depois, patroa coloca Miguel no elevador e aperta 9 andar.
POR QUÊ!? Pro Miguel dar uma voltinha na cobertura? sozinho?
Miguel cai no vão livre do prédio.
Mãe volta. Porteiro diz que ouviu um barulho. Será que alguém caiu?
Mãe encontra Miguel morto.
Negligência?
Só?
Patroa paga fiança e é liberada.
Não existe racismo no Brasil.
Existe Casa Grande e Senzala.
O resto é tragédia.
O pet passa bem.
O Brasil, não!

ilustrações: @desenhosdonando @lazmuniz #justicapormiguel #vidasnegrasimportam