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Parem de bombardear Sinjar!

Faz 48 horas que a Turquia, uma superpotência, atacou o pequeno povo Yazidi nas montanhas Sinjar, norte do Iraque. Há 48 horas que não tenho descanso. Nego-me a aceitar isso como normal.

Os Yazidis são um povo ancestral, sobrevivente de múltiplos genocídios. Deveriam ser honrados, protegidos. Ao invés disso, não têm pátria, nem documentos, nem direitos. Sua riqueza é ele mesmo; sua história e cultura, sua luta e resiliência. Grande parte das famílias atacadas são dirigidas por viúvas que perderam seus maridos assassinados pelo Estado Islâmico em 2014.

Milhares delas, desde crianças de 6 anos, foram feitas escravas sexuais para os terroristas por mais de 3 anos! Dezenas de estupros por dia. Muitas se suicidaram. Outras atearam fogo em si mesmas no intuito de ficarem deformadas a ponto de não serem mais atraentes. Quanta dor. Quanta violência. Não há como dimensionar o trauma! Só por estarem vivas já são excepcionais!

Por quê bombardeá-los? No meio da noite, numa pandemia! A troco de quê usar drones e caças contra famílias vivendo em barracas, num campo de refugiados nas montanhas? Nada justifica, não faz sentido!

Este post é ao mesmo tempo um protesto pelo silêncio e descaso da comunidade internacional, e um tributo, ainda que singelo, a esse povo, especialmente a estas mulheres e meninas sobreviventes. Ajude-me a amplificar esta voz. Coloque-se no lugar delas. É preciso quebrar a barreira do descaso, da insensibilidade, do silêncio. Muitos nunca sequer ouviram falar desse povo…

Juntos podemos ir mais longe! Oxalá esta essa mensagem chegue até elas, lá no alto do monte Sinjar, e lhes traga algum conforto, alguma esperança.
– “Vocês não estão sozinhas. Vocês não foram esquecidas”.

Que haja dignidade e justiça.
Que haja paz para o povo Yazidi.

Foto: Menina Yazidi, Ago 2014, Youssef Boudlal / Reuters

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Yazidis atacados em Sinjar

Sob o pretexto de atacar terroristas o governo turco acaba de bombardear pesadamente a região do Monte Sinjar, no Curdistão Iraquiano (norte do Iraque). Esta é a terra ancestral dos Yazidis e Curdos, que junto com a minoria cristã, foi alvo do ISIS em agosto de 2014 e vítima de um massacre e enorme êxodo humano. Estes três povos têm sido, há séculos, alvos de um genocídio indescritível e ignorado pelo mundo.

Em 2014 milhares de mulheres e meninas Yazidis foram feitas escravas sexuais pelos terroristas do ISIS por anos. Com muito esforço e sacrifício, sem apoio internacional, eles se organizaram e conseguiram expulsar o ISIS de suas terras. Nos últimos meses foram descobertas dezenas de valas comuns com milhares de corpos. Após 6 anos morando em acampamentos de refugiados em péssimas condições, há cerca de 10 dias aproximadamente 200 famílias voltaram às suas terras para reconstruir das cinzas.

No ataque de hoje, uma escola e um hospital foram (intencionalmente?) destruídos. O que dizer? A quem pedir socorro? Como orar?

Hoje abrimos a semana em que se celebra (?) o Dia Mundial do Refugiado (20 junho). Que tragédia! Há dois anos, numa missão pastoral-humanitária, estive na região, a apenas alguns quilômetros da área bombardeada hoje. Visitei famílias sobreviventes do massacre de 2014. Desfrutei da sua hospitalidade. Ouvi suas histórias. Força e beleza se misturam em sua cultura, notadamente sua música e gastronomia. Ri e chorei com eles. Mas as cicatrizes no corpo e na alma testemunhavam… Estavam cansados de tanta luta.

Planejei voltar. Não fosse o fechamento das fronteiras por conta da pandemia, estaria lá novamente mês passado. Se puder, ao ler estas linhas, separe um tempo de oração por estas famílias (Yazidis, Curdos e Cristãos). Não é só pelo ataque de hoje. Há um clamor por paz e segurança que só o Senhor pode dar.

Ore para que parem os bombardeios e ataques.
Ore pelos feridos deste e de outros ataques. Mulheres e crianças. Doentes, idosos.
Ore por consolo por aqueles que perderam parentes e amigos.
Ore por restauração dos seguidos traumas que sofreram.
Ore com todas as suas forças para que o deus da guerra e da morte seja derrotado.
Que os pequeninos sejam fortalecidos.
Que portas se abram e que o evangelho da paz inunde esta terra, como as águas cobrem o mar.

Senhor, tem misericórdia!

Foto: Delil Souleiman – AFP (2014)