Nossa História

O Abuna iniciou suas ações em 2013 como um movimento voluntário, liderado pelo pastor José Prado e sua esposa Valdívia, que decidiram fazer algo pelas famílias sírias que chegavam ao Brasil totalmente desassistidas, solicitando refúgio por conta da guerra. A experiência de acolher a primeira família, com dezoito pessoas e quatro gerações, foi tão especial que dois meses depois José se desligou do pastoreio da igreja para se dedicar integralmente a esta nova missão.

Como o governo brasileiro havia facilitado e entrada dos sírios no país, não demorou muito para que um crescente fluxo se formasse, com várias famílias chegando a cada semana. Mais pessoas e igrejas foram mobilizadas e abriram suas portas. As novas famílias eram recebidas no aeroporto, acolhidas, atendidas e ajudadas a recomeçar. Várias ações foram estruturadas nesta fase, como intérpretes que os acompanhavam na Polícia Federal para regularizar a documentação, aulas de português, atendimentos médico e odontológico, visitas supervisionadas ao supermercado e até passeios.

Foi um começo desafiador, com muitas lições aprendidas. Os que chegavam, além de pouquíssimos recursos, não conheciam nada sobre o Brasil e a língua portuguesa e carregavam traumas e enfermidades. Havia desde crianças em stress pós-traumático, idosos desorientados, jovens sem esperança e pais de família em depressão. Graças a uma rede de voluntários extremamente generosos e dedicados, muitas famílias foram assistidas.

Um dos grandes obstáculos era a falta de um lugar inicial para o acolhimento das famílias, uma “casa de passagem” onde pudessem ficar até que alcançassem a autonomia. Sem alternativas, muitas eram recebidas na própria casa dos Prados, que não pouparam sacrifícios para servir.

A morte do menino sírio Alan Kurdi nas praias da Turquia em setembro de 2015 e a reação de vários voluntários, encorajaram o casal Prado a mais uma decisão ousada. Um mês depois, foi aberta a Casa Azul, a primeira casa de acolhimento do Abuna. Depois dela, outras 2 casas foram abertas em São Paulo. Nelas foram acolhidas 52 pessoas, de 8 países: Síria, Jordânia, Iraque, Palestina, Líbia, Iêmen, Paquistão e Congo.

Em 2017 o Abuna foi registrado como organização não governamental sem fins lucrativos.

O desenvolvimento das ações trouxe um novo desafio. Apesar de terem documentação e aprenderem a língua, os acolhidos não conseguiam emprego por conta da concorrência com os milhares de desempregados brasileiros na capital paulista. Mais ainda, a violência urbana, da qual eles nada conheciam, ameaçava fazê-los de vítimas.

Ponderando tudo isso, em janeiro de 2018 o Abuna decidiu mover-se estrategicamente para Maringá-PR, uma próspera cidade do interior do Estado do Paraná, em busca de segurança e melhores opções de trabalho para os acolhidos. Ali abriu uma nova casa de passagem, a “Casa Rosada”, que já acolheu e integrou 31 pessoas, de 7 países. Sensíveis a vocação agrícola da cidade, foi iniciado um programa agroecológico, o “Abuna Agroecologia”.

Em outubro de 2018 foi aberta a primeira casa de acolhimento no exterior, na Tailândia.

Com a pandemia do covid-19 em março de 2020 e o consequente fechamento de fronteiras, a crise econômica e a fome, o Abuna tem se dedicado a assistir as famílias em situação de refúgio e imigrantes em vulnerabilidade, tanto no Brasil como em outros países.