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Direitos Humanos

Racismo à brasileira

Aos que argumentam que todas as vidas importam, que a morte do menino Miguel, em Recife, não tem nada a ver com a cor da pele…

O fato concreto é que ele era negro, filho de uma família pobre. Assim como era negro e pobre o menino João Pedro, assassinado dentro de casa pelas forças militares no Rio. Assim como era negro o angolano assassinado em Itaquera dia 17 maio.

No Brasil, 75% das milhares de pessoas assassinadas por ano são pobres e negras.

Há quem prefira dizer que isto é um problema econômico. Sim, digo eu, problema econômico causado pelo racismo estrutural.

Quem morre mais de bala perdida: negros ou brancos? Quem morre mais nos desabamentos nas encostas?Quem morre mais quando as forças militares invadem a favela?
Quem morre mais nos corredores dos hospitais por falta de leito e atendimento?

Você diz. Os pobres.

Sim, os pobres que em grande parte são negros. Coincidência? Falta de vontade de estudar e trabalhar? É isso mesmo que você pensa?

Esses irmãos e irmãs brasileiros estão nessas condições de vulnerabilidade por conta de um sistema maligno (escravidão) que forjou a sociedade brasileira por centenas de anos. Sim, séculos!

Os acontecimentos trágicos que aconteceram no Brasil e nos USA trazem à tona um mal terrível chamado racismo. Ele está tão entranhado em nossa cultura que muitos chamam de “leve”. Mas é exatamente o contrário. Racismo no Brasil é tão forte que acaba sendo natural.

É mais fácil pra nós catalogarmos essas barbaridades como pobreza. Isso de certa forma nos isenta. Lavamos as mãos e seguimos em frente… Não, não mais. Há gente que não tá conseguido mais respirar. Não é só pela justiça e pela paz (e isso é muito). Antes disso, é pela dignidade e valor intrínseco e incomensurável dessas vidas. Sim, especialmente vidas negras.

Temos diante de nós a possibilidade de reavaliar nossa forma de ver o outro e de viver. De construir um novo país, sobre novos alicerces. Sim, vamos ter muito trabalho… Mas a esperança é forte. Ela é resiliente.

E como sempre digo, e procuro viver, a começar em mim. #vidasnegrasimportam

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