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Direitos Humanos

Vai ter cruz, sim!

Desde o início, ele nunca demonstrou apreço pelo humano. Não fossem os limites impostos, todos nós estaríamos consumidos. Ele, que não suporta a vida e a alegria, se alimenta da violência, da mentira, do ódio, da morte. Quase sempre age às escuras. Dissimulado. Mas em tempos sombrios como os nossos, ele se sente à vontade e exibe sua face. Intolerante. Cruel. Mesquinha. Abjeta.

Hoje apareceu lá em Copacabana. Na areia branca, desandou a derrubar as cruzes. Repare. Não chutou as faixas, não se voltou contra os voluntários, nem tratou de fechar as valas. Seu ódio derramou-se sobre o símbolo que mais abomina e teme. A Cruz. Foi numa cruz que um dia ele foi vencido, desmascarado, humilhado. A cruz vazia expõe sua impotência. Ele pode chutá-la, mas não pode derrotá-la. O amor venceu. A esperança sorriu. A justiça e a paz se beijaram. Uma nova vida é possível.

E aquele pai que passava por ali, arrasado pela perda do filho amado, olha a cena e, de tanta dor guardada no peito, clama, como um brado, um aviso:

– Vai ter cruz, sim! Foi meu filho!

Ecos da eternidade em Copacabana.

Não é o vírus. O que está matando o Brasil é o deus da morte e seus adoradores.

Acorda, Brasil. Grita, Brasil.
Se agarra nesta cruz e sai da vala. Respira.
O rio de paz vai jorrar. Ele pode nos lavar. Ele pode nos curar.
E nós, qual crianças, podemos nadar de braçada.

Você vem?

Imagem do g1