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Direitos Humanos

João Manuel. Angolano. Vítima de Xenobobia.

Este é o João Manuel (47), dificilmente você ouviu falar dele.

Angolano refugiado, frentista, residente em Itaquera, Zona Leste de São Paulo, assassinado no último dia 17, com 3 facadas no peito, por um brasileiro que não aceitava seu direito de receber o auxílio emergencial do governo. Crime gravíssimo de Racismo. Xenofobia. Intolerância. Ódio.

Infelizmente, não é um caso isolado. Há várias denúncias de crimes de xenofobia/racismo sofridas por imigrantes negros na região.

Um outro querido irmão refugiado congolês, que tive a honra de acolher na nossa casa de passagem, homem íntegro e trabalhador incansável, família linda, após alcançar sua autonomia financeira foi morar na ZL, onde meses depois foi esfaqueado na frente de casa quando ia pro trabalho às 5h da manhã. Foi hospitalizado. Sobreviveu.

Quando me narrou o episódio, semanas depois, em lágrimas disse que ninguém queria socorre-lo. Perguntava-me o porquê disso? Porquê tentar matá-lo? Só por ele ser negro? Eu vim ao Brasil pra fugir da violência na África! Não tive resposta.

Semanas depois, de tanto medo e desespero, embarcou na proposta mentirosa de um coiote (traficante humano) que lhe prometeu levá-lo aos EUA cobrando todas as suas economias.Loucura? Sim, pessoas desesperadas fazem loucuras pra tentar sobreviver. Foi assim no Congo, depois Angola, depois Brasil… Se conseguir entrar nos EUA, encontrará outra atmosfera? Tenho dúvida.

Até onde sei, depois de uma viagem arriscadíssima, ele, esposa e 4 filhos pequenos estão detidos em Costa Rica, numa prisão para imigrantes ilegais. E isso me causa uma dor enorme…

Que tipo povo somos nós? Digo, em que estamos nos transformando? Rejeito completamente que essas atitudes representem o povo brasileiro. Muito menos gente que se diz cristã.

Mas é preciso reagir. É preciso denunciar, apurar e julgar todo tipo de violência: verbal, simbólica, física… Venha de onde/quem vier. E é preciso fazer justiça às vítimas.

Precisamos urgentemente retomar o diálogo. Nutrir e construir uma sociedade plural, que respeita e valoriza a diversidade, a beleza do Criador estampada em cada face. Cada etnia. Seja ela oriunda de povos indígenas, ciganos, quilombolas…

Um outro Brasil é possível. Um outro Brasil é preciso.

Eis-me aqui, Senhor. Venha teu Reino, seja feita tua vontade. Aqui. Hoje. A começar em mim.

#RacismoNao #XenofobiaNao #justiçaparajoaomanuel