“Pastor, eles mataram meu irmão”!


Antes que eu pudesse reagir, várias imagens terríveis invadiram

minha tela. Congelei. Não sabia o que pensar, o que dizer.


Minutos antes eu havia perguntado como ela estava. Fazia um tempo

que não recebia notícias. Calculando que lá já era madrugada (ela

está 9h à frente), imaginei receber alguma notícia somente no dia

seguinte.


– “Eles maltrataram muito ele…”

Não precisava nem dizer. As fotos testificavam. Vários sinais de

espancamento e um enorme talho no pescoço, à altura da carótida.

Seu corpo ficou todo manchado de sangue, muito sangue…


Tinha a minha idade, aproximadamente.


Três filhos jovens, como eu.


Discípulo de Jesus, como eu.


Ele, porém, vivia num país onde a perseguição aos cristãos é cruel e

permitida, quando não efetuada pelo próprio governo.

Que dor, Senhor e agora?


Tentei me recompor.


Comecei a ponderar as consequências e a fazer perguntas:


– E a esposa e filhos? – muito, muito abalados.

– Estão seguros? – foram para outra cidade, pastor… mas o senhor

sabe. Eles sempre acabam encontrando a gente…


– Há algo que posso fazer?


Entram novas fotos, agora da família. Ele com os filhos. Ele e a esposa. Ele sozinho. Que família linda. Sua face serena e seu sorriso aberto contrastam com as imagens dele martirizado. Não faz sentido! Outras fotos entram, agora do enterro.


Ele era o irmão mais velho. Ela, uma jovem professora, ameaçada de morte, fugiu do país há 6 anos. Há 6 anos sua vida parou. Não tem descanso. Não tem endereço fixo. Não tem um lugar pra chamar de casa. Nem família por perto. Já passou por mais de 10 países.

Nenhum lhe oferece abrigo. Totalmente só. Sem perspectivas. Sem esperança. E o tênue cordão que lhe sustentava agora se foi.


– “O que será de mim, pastor”?


Há 3 anos nós, do ABUNA a apoiamos com recursos, orações e orientações. Como muitos outros na mesma situação, ela aguarda permissão de entrada no Brasil.

Agora não somente ela, mas a viúva de seu irmão e seus 3 filhos estão sob nosso olhar.


O que faremos?


Dê um passo à frente, fique ao nosso lado! Ore por eles. Ore por nós.

Ajude-nos a ser uma forma concreta do amor do Pai para estas

famílias.


1 view0 comments